“Encontros Imaginários”, de Hélder Costa

Encontros Imaginários

 

Hélder CostaQuando personagens marcantes da história da humanidade se encontram é inevitável que haja um confronto de ideias.

Libertando-se do peso de uma peça de teatro, os “Encontros Imaginários” são uma tertúlia com personagens que se sentam à conversa sobre temas diversos, tentando provocar o interesse e o prazer do público. Criados em 2011 pelo dramaturgo e encenador Hélder Costa, que os continua a escrever, os “Encontros Imaginários” começaram por ser uma experiência intimista no teatro “A Barraca”, em Lisboa, mas ganharam rapidamente a adesão do público e da sociedade civil. Atualmente já são reproduzidos noutros clubes e associações, nomeadamente em Madrid e Barcelona.

Uma das particularidades destes encontros, que já por si são insólitos, é o facto de as personagens serem interpretadas por figuras públicas que na maior parte das vezes não são atores. Para Hélder Costa, os “Encontros Imaginários” não são apenas divertidos, são uma resposta sã e generosa, com afetividade e sem afetação, de uma sociedade civil que está à procura de um novo espírito coletivo.

"Encontros Imaginários", de Hélder Costa

O século XVI viu surgir o Renascimento. A Cultura e a Arte, de mãos dadas, contra Inquisições, dogmatismos e sectarismos.

O Humanismo aparecia como o lenitivo que faria esquecer a barbárie.

Entre as grandes figuras da época recordamos Sir Thomas More, o célebre autor de “UTOPIA”, intelectual brilhante que chegou a ocupar o cargo de Chanceler do Reino de Henrique VIII da Inglaterra, e cuja coerência na defesa da separação entre a Política e a Religião, o levou à pena de morte por decapitação.

Na reflexão sobre a UTOPIA, a tal meta que nos faz sempre caminhar e ir em frente, recordamos a forma extrema de criminalidade e destruição que foi a prática Hitleriana perseguindo o sonho “O Reich para 1000 anos!”.

Terminou ao fim de meia dúzia de anos, suicidando–se em Berlim quando as tropas soviéticas cercaram o seu bunker.

A herança de dezenas de milhões de mortos e a Europa destruída, criaram a vontade e necessidade de lutar pela Paz, pelo bem–estar e pelo Progresso.

Infelizmente, como diz o povo, “morre o bicho, fica a peçonha”. O recomeço das práticas nazis em vários países são um sinal de alerta para a indispensável cidadania Universal.

John Lennon, nosso contemporâneo, um dos famosos Beatles, lutou pela Paz com imagens, performances e com a sua arma preferida a canção. “Imagine” transformou–se num hino à UTOPIA de todos os povos.

E assim como Thomas More, também ele foi sacrificado, morrendo às balas de um fanático.

Mas a ideia continua e irá florescer.

Hélder Costa